domingo, 16 de julho de 2017

PARÁ TEM QUASE 2 MIL ASSASSINATOS NO PRIMEIRO SEMESTRE

Pará tem quase 2 mil assassinatos no primeiro semestre  (Foto: Wagner Almeida)
Nem mesmo se somássemos o número de vítimas que morreram em atentados terroristas na Europa este aono, chegaríamos a um total estratosférico como são os números da violência no Estado do Pará onde 1.975 homicídios foram registrados, no período de janeiro a junho de 2017. Este total equivale a uma média de 329,16 assassinatos por mês – o que resulta em 11 homicídios por dia, no território paraense. Os dados são do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp).
 Se compararmos o primeiro semestre deste ano com o primeiro semestre de 2016, chega-se a conclusão que o número de homicídios no Pará aumentou em 11,24%. Em números mais específicos, entre janeiro e junho deste ano já mataram 222 pessoas a mais que o mesmo período do ano passado, quando 1.753 homicídios foram registrados.
 MESES RECORDISTAS
O mês de abril foi o que mais teve homicídios, este ano, com 360 casos registrados. Janeiro foram 358 assassinatos – sendo que deste total, 25 mortes violentas se deram no intervalo de aproximadamente 24 horas depois da morte do policial militar Rafael da Silva, da Ronda Tática Metropolitana (Rotam).
Em maio, no qual dez trabalhadores rurais foram executados em Pau D’Arco, foram registrados 347 homicídios, no Pará. A chacina de Pau d’Arco ainda está sendo investigada e, nesta semana que passou, 13 policiais foram presos acusados de envolvimento no caso. Ainda não foram divulgados os dados de homicídios registrados na primeira quinzena deste mês de julho. No entanto, a considerar pelo histórico de homicídios no Pará geralmente nos meses de julho e agosto os números tendem a diminuir, segundo os especialistas.
ESTADO FALHA
A convite do DIÁRIO, o sociólogo e advogado criminalista especialista em Segurança Pública, Henrique Sauma, analisou os dados do Sistema de Segurança Pública (Sisp) sobre a violência no Pará e não demorou nenhum para que ele concluísse que os elevados índices de homicídios são uma prova viva de que a rede de proteção do Estado é falha. Em outras palavras, isto quer dizer que a carência de políticas públicas nas áreas da Educação, Saneamento, incentivo ao Esporte e, principalmente, de Segurança Pública não são eficientes ou não existem. O que contribui para o aumento da criminalidade e de homicídios.
Segundo Henrique Sauma, com o Estado ausente o crime se estabelece em toda a Grande Belém, principalmente (Foto: Mauro Ângelo)
Estado falha por não prevenir a violência no PA
“A análise dos números da violência nos mostram que a maioria destas pessoas que estão morrendo de forma violenta são jovens, negros, pobres, de baixa escolaridade e moram nas áreas periféricas de Belém”, disse Sauma. “São áreas onde a rede de proteção do Estado deveria funcionar com excelência, mas isto não está funcionando”, acrescentou.
Sauma defende o princípio de que se combate a criminalidade com políticas efetivas de prevenção que atenda, principalmente, a população jovem. “Políticas de prevenção não é somente a presença de policiais nas ruas, é você criar uma rede de proteção que tire os jovens das ruas”, frisou o sociólogo.
A maioria dos crimes de homicídios no Pará tem suas raízes no tráfico de drogas – cada vez mais crescentes em todo País e na Região Metropolitana de Belém. Por causa de dívidas com traficantes pessoas são executadas sumariamente, dia e noite, nas ruas, por exemplo. “O crescimento do tráfico de drogas revela a ausência do poder público. O jovem de periferia só se torna um agente do tráfico devido a falta de oportunidades e eles encontram no tráfico uma fonte de renda”, verificou Henrique Sauma, chamando a atenção para a importância de se investir em Educação e Lazer para crianças e adolescentes, por exemplo. “O tráfico só se instala quando o Estado está ausente”, enfatizou o especialista.
Outra situação pertinente aos casos de homicídios no Estado está o confronto com a polícia – o que tem gerado dezenas de mortes violentas. “A gente vai discutir uma série de problemas aqui, mas a causa de todos eles é a mesma. A ausência do Estado acaba fomentando direta e indiretamente estes índices alarmantes de violência”, repetiu Henrique Sauma.
SEM RESSOCIALIZAÇÃO
Ao ser questionado sobre este cenário tão violento, no qual a população também tem vive com a sensação de impunidade em relação a crimes que demoram a ser julgados ou em que o acusado é preso, mas não se regenera, o especialista em Segurança Pública ressaltou novamente as falhas na rede de proteção.
“Este problema que envolve vários fatores também. A começar que não existe ressocialização nas casas penais. Isto porque é difícil você ‘ressocializar’ alguém que não foi ‘socializado’ porque o processo (de socialização) da rede de proteção falhou”, frisou Henrique Sauma.
(Denilson D’almeida/Diário do Pará)
 
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