quarta-feira, 5 de julho de 2017

CASOS DE CONJUNTIVITE PREOCUPAM PARAENSES

Casos de conjuntivite preocupam paraenses (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
Se você mora na Grande Belém, talvez você esteja com conjuntivite ou conheça alguém que está, não é mesmo? Nas últimas semanas, o número de casos de pessoas que estão sofrendo com o problema, aparentemente, cresceu. Há também relatos no interior do Estado.
"Na minha casa, eu, meu filho e meu marido pegamos conjuntivite no início de junho, e dois tios. Foi uma fase péssima, sentíamos ardência, irritação e tivemos que nos isolar para não transmitir para outras pessoas", disse a abaetetubense Fátima Pantoja, que conhece outras cinco pessoas também tiveram conjuntivite.  
Em repouso e tratando da doença, em Belém, o jornalista Ronald Damasceno conta como começou.
"Começou com um incômodo em um dos olhos. Depois de uns dias, piorou muito e tive a sensação de que havia uma 'pedrinha' no olho. Fui ao médico e recebi o diagnóstico. Agora estou usando dois colírios e um anti-inflamatório", relembra. 
Compreender como tratar e evitar é fundamental
Segundo a médica Cristina Coimbra, oftalmologista da Unidade Bettina Ferro de Souza, do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (UFPA), a conjuntivite é qualquer doença que irrite a conjuntiva, membrana transparente que cobre toda a região branca do olho e a superfície interna das pálpebras.
Durante o tratamento para o paciente com conjuntivite, alguns produtos devem ser evitados, como receitas caseiras envolvendo suco de limão e água boricada, já que o ácido bórico, presente na substância, pode causar outros danos aos olhos, que já estão fragilizados, explicou a médica.  
Há alguns tipos da doença, como a tóxica (causada pelo contato direto com algum produto ou resíduo de poluição); a alérgica (que surge em pessoas que já possuem maior propensão à alergias ou que já possuem alguma, como rinite, por exemplo) e a infecciosa, a mais comum, em geral causada por vírus e bactérias transmissível entre as pessoas.
De acordo com Cristina, não há tratamento em caso de conjuntivite viral. "O que se pode fazer é ajudar a diminuir o desconforto do paciente, utilizando compressa de água gelada e colírio lubrificante. O ciclo do vírus dura de sete a dez dias, então o que resta é aguardar e melhorar o conforto", explica.
Caso a irritação permaneça por mais de sete dias, é necessário se consultar novamente com um médico. "É raro, mas em alguns casos a inflamação pode ficar mais graves e causar cicatrizes no tecido ocular, na córnea", explicou a médica. Nesses casos, pode ser que o paciente precise tomar anti-inflamatórios. 
O que é conjuntivite?
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a porção anterior da esclera e a face interna das pálpebras. Tem fácil contágio e é frequente na população.
As causas podem ser alérgica ou infecciosa (viral, bacteriana ou por irritação química) e pode se apresentar na forma aguda ou crônica.
A transmissão é feita pelo contato direto de pessoa a pessoa ou indireto, pelo uso de objetos contaminados, pelo ar, especialmente em ambientes coletivos como creches, escolas, asilos, fabricas e outros.
O tratamento é feito com a limpeza do olho e pálpebras com água limpa e fervida e antibiótico (em caso de bactérias) ou antiviral (em caso de vírus), de acordo com o tipo e o grau de resistência do agente que causa a doença.
Quais são os sintomas?
- Olhos avermelhados
- Prurido, sensação de desconforto;
- Inchaço (edema) do olho ou pálpebra;
- Lacrimejamento com a presença de secreção purulenta;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Visão borrada
Como evitar?
As principais formas de evitar o contágio por vírus passam por cuidados de higiene. Lavar as mãos e evitar contato direto com alguém que está com a doença é algo fundamental.
Já para o enfermo, é importante deixar separado e lavar bem seus objetos pessoais ligados à alimentação, como talheres, pratos e copos, bem como fronha de travesseiro, toalha e colcha de cama. Além disso, ainda que seja difícil, o paciente deve evitar coçar os olhos tanto para não irritá-los mais como também de "espalhar" os vírus, prolongando assim a cadeia de contágio.
Não é possível dizer se há surto em Belém, diz Sesma
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), a conjuntivite não é doença de notificação obrigatória. E, já que o número de casos não é contabilizado, não é possível dizer se há um surto em Belém.
A Sesma ressaltou que os casos de conjuntivite são comuns no verão e são controlados com hábitos de higiene, como lavagem das mãos e do rosto frequentemente, meticulosa limpeza e manipulação de qualquer objeto que pode entrar em contato com o olho ou secreções respiratórias e evitar ambientes com aglomerações de pessoas.
"Em casos confirmados, os pacientes não devem compartilhar qualquer utensílio e pertences pessoais com o restante da família. A secretaria orienta as pessoas que apresentarem sintomas (vermelhidão nos olhos, coceira e  lacrimejamento dos olhos com ou sem secreção) devem procurar assistência médica para tratamento adequado e evitar automedicação".
Sespa desmente mensagem sobre suposto surto
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou em nota, divulgada na quarta-feira (5), que não partiu do órgão a mensagem que circula em grupos de WhatsApp, a respeito de um suposto surto de conjuntivite no Estado.
Apesar dos vários relatos nas redes sociais, de acordo com a Diretoria de Vigilância em Saúde e o Departamento de Epidemiologia da Sespa, não há notificações dos municípios sobre o aumento de casos da doença no Estado.
Contudo, um processo de notificação será organizado para investigar a situação atual. 
(DOL)
 
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