quinta-feira, 22 de junho de 2017

QUADRILHA INVADE CASA E EXECUTA PRIMOS

Quadrilha invade casa e executa primos (Foto: J.R. Avelar/Diário do Pará)
Medo e revolta aliados à insegurança e “lei do silêncio”. Esse era o cenário, ontem logo cedo pela manhã na passagem Salvador, loteamento Olga Benário, no bairro das Águas Lindas, em Ananindeua, Grande Belém. A vizinhança foi acordada ao som de tiros. Detalhe: nos últimos 3 dias, 5 pessoas foram assassinadas no bairro, entre o final da madrugada e o começo da manhã. Ontem perderam suas vidas 2 primos, de 20 e 22 anos.

Pelas informações muito reservadas passadas a policiais militares, 10 homens em 2 carros de modelo e placa não anotadas chegaram ao local e rapidamente arrombaram um portão de madeira que dava para o interior da casa. Na sequência, invadiram a residência e surpreenderam as 2 vítimas. 

A casa escolhida pelos matadores ficava na rua Salvador, bem próximo da rua Terezina, antiga “Pau te Acha”. Os primos Alexandre Ferreira Gonçalves de 22 anos e Breno Ferreira Gonçalves, 20, estavam dormindo em um quarto quando foram surpreendidos pelos assassinos. Breno foi arrastado para a lateral da casa e executado com um tiro de escopeta no rosto, e o Alexandre foi assassinado dentro da cozinha, com 3 tiros que lhe atingiram cabeça, tórax e braço.

Várias pessoas, inclusive uma criança, dormiam na casa e acordaram com os tiros, que duraram 5 minutos. Vizinhos do imóvel onde ocorreu o crime, assustados, buscaram proteção temendo balas perdidas, enquanto se aterrorizaram com os gritos dos jovens assassinados e familiares. 

Logo após executarem os primos, os criminosos, sempre de armas em punho e encapuzados, entraram nos 2 veículos e saíram do local não deixando pistas para serem identificados.

“TOQUE DE RECOLHER”

Um morador do loteamento Olga Benário disse ao DIÁRIO que na noite anterior teve uma espécie de “toque de recolher”. “Meia-noite não se via ninguém na rua e até mesmo os trabalhadores que saem de madrugada para o batente retardaram a saída temendo o pior”, disse a testemunha.

Policiais civis da Divisão de Homicídios estiveram no local colhendo informações. O perito Jadir Ataíde, do Instituto de Criminalística, coletou estojos de pistola e classificou o crime como “clássico de execução”.

“As vítimas foram atingidas por disparos de curta distância e fatais, característicos de execução. Coletamos evidências que serão analisados no laboratório criminal do IML” informou o perito.

Policiais militares isolaram o local do crime, identificando a vítima que não tinha passagem pela polícia. 

Familiares acreditam que os dois primos possam ter sido mortos por engano.

MÃE DE UMA VÍTIMA CONTA O QUE VIU

Não há limites para a criminalidade, que também provoca o terror invadindo residências e colocando a vida de mais pessoas em risco. A mãe de Alexandre Ferreira Gonçalves, que não será identificada, contou que despertou com o barulho do portão de madeira da casa sendo arrombado. Na residência de 4 cômodos, as 2 vítimas dormiam em um quarto. Em outro dormia o irmão mais novo de Alexandre, um adolescente de 14 anos e com a mãe dormia a outra filha, uma criança de 9 anos. Ninguém foi poupado do terror. 

“Depois de arrebentarem a porta da cozinha para entrar em casa. Puxaram meu filho (Alexandre) para a cozinha e o meu sobrinho para fora de casa. Eu segurei o terceiro (filho adolescente), pedia para eles não o levarem e o pouparam. Mas eu não consegui salvar os outros 2, porque eu só consegui proteger um”, falou emocionada. “Aí ouvi vários tiros, eu estava tão desesperada que não tinha noção do que estava acontecendo. A minha filha, coitada, se escondeu debaixo do lençol com medo”, continuou.

Ainda segundo ela, o sobrinho Breno Ferreira Gonçalves era dependente químico e já havia sido preso anteriormente, sendo colocado em liberdade posteriormente. Já Alexandre, não teria ligação com a criminalidade. “O Breno foi preso por 4 meses e depois saiu, mas o meu filho era trabalhador. Ele era pedreiro em uma empresa da construção civil, em Ananindeua e estava prestes a dar entrada no seguro-desemprego”, finalizou. 

(JR Avelar/Diário do Pará)
 
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