quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Transexual é vítima de homofobia junto com o filho

Transexual é vítima de homofobia junto com o filho (Foto: reprodução/Facebook)
Bárbara Pastana, coordenadora de Política para Transexuais do Estado do Pará, foi vítima de homofobia nesta terça-feira (04), acompanhada pelo filho de apenas dois anos e meio. O caso aconteceu na Avenida Independência, bairro Val-de-Cães, em Belém. 
Em entrevista ao DOL, Bárbara relatou como tudo aconteceu. "Todos os dias saio de casa (no bairro do Benguí) e levo o meu filho para a escola de bicicleta, na cadeirinha na frente. Hoje, um carro se aproximou e me acompanhou bem devagar. Eu continuei pedalando e quando notei, o motorista jogou o carro para cima de mim e bateu na bicicleta."
A coordenadora conta ainda que caiu na direção da calçada, por cima do filho. "Eu não consegui ver mais nada, só vi o meu filho machucado. Não sei quem fez isso, não consigo imaginar."
A criança sofreu ferimentos na cabeça e no corpo, além de quebrar o braço direito em três partes. Bárbara e o filho já foram liberados e estão em casa.
"Na hora eu não senti nada, só fiquei preocupada com o meu filho. Agora (no final da tarde) estou sentindo as dores no corpo. Ainda não tive condições de ir para a delegacia registrar o Boletim de Ocorrência, mas a delegada Hildenê (Falqueto), da Delegacia de Crimes Homofóbicos, está me dando todo o apoio e mandou um investigador colher meu depoimento em casa", relata. 
Bárbara Pastana, conhecida como "Dama de Ferro" na luta contra a violência aos Transexuais, se emocionou ao falar sobre a discriminação.
"Eu tenho uma luta de muitos anos em defesa das outras pessoas e quando acontece comigo, fico sem palavras", disse. "Eu defendo as pessoas que têm seu direito violado e agora eu passei por isso. Estou em choque."
Ela também é pioneira no Estado na adoção de crianças por pais transexuais. O filho vive com ela desde que nasceu. 
Bárbara disse ainda que "infelizmente esta é a realidade que vivemos todos os dias", pois "falta oportunidade de emprego para a população trans" e sobra "violência, entre outros".
De acordo com a coordenadora, cerca de 30 transexuais foram assassinados no Estado apenas em 2016.
(Ana Paula Azevedo/DOL)
 
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