sexta-feira, 15 de julho de 2016

Preso por envolvimento no assalto a hospital

Minha filha estava dormindo e eles acordaram ela com uma arma na cabeça. Eles levaram o celular e a quantia de R$ 140 dela”, disse Marly Ribeiro, 47 anos, mãe de uma paciente internada no Hospital de Clínicas de Ananindeua, localizado na rua 2 de Junho, no bairro Centro.
A unidade foi invadida por 2 assaltantes armados que fizeram vítimas acompanhantes e pacientes internados nas enfermarias. O crime foi gravado pelas câmeras de vigilância e um dos acusados foi preso 11 horas depois do assalto.
Yan Rodrigo Rodrigues de Oliveira, de 19 anos, mora praticamente ao lado do hospital e com ele foi encontrado parte dos pertences roubados. A polícia ainda procura pelo outro assaltante, ainda não identificado.
O assalto a um hospital pública na Região Metropolitana de Belém consiste em mais um episódio do alto nível de insegurança vivido pelos paraenses. As imagens do circuito interno da unidade mostram que, às 3h04, os assaltantes pularam o muro do estacionamento para ter acesso ao interior do prédio. Eles rondaram o prédio, vasculharam os carros estacionados e entraram no hospital pela porta da frente.
Encapuzados e com a arma em punho, às 3h15, eles passaram pela recepção da unidade. Não havia nenhum funcionário no espaço naquele momento porque, segundo a polícia, os enfermeiros e atendentes estavam dormindo trancados em uma sala fora dali.
Com acesso “livre” os acusados invadiram as enfermarias acordando pacientes e acompanhantes. “Eu e muitos outros acompanhantes fomos atacados e eles nos obrigaram a entregar nossos pertences. No meu caso, eles levaram dinheiro e documentos e disseram que não era ‘pra’ gente fazer escândalo, senão atiravam”, detalhou Mary Reis, 38 anos, acompanhante de paciente.
Se o hospital serve para salvar vidas, os assaltantes colocaram os pacientes em risco de morte, sobretudo, para quem teve o quadro clínico piorado por causa do assalto na unidade. “Minha mãe estava internada pra tratar de algo rotineiro, mas passou mal por causa desse assalto e teve de ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, declarou Rita de Cássia da Silva.
A ação dos assaltantes foi rápida. Durou pouco mais de dez minutos. Tanto que às 3h27 as câmeras registraram o movimento de pacientes e acompanhantes circulando desesperados procurando por médicos, enfermeiros ou qualquer funcionário do hospital que pudesse atender as pessoas que estavam passando mal. A dupla já tinha levado dinheiro, roupas, telefones celulares e as bolsas de algumas vítimas.
O caso está sendo investigado pela Delegacia do Aurá e, segundo o delegado Marcílio Diniz, as investigações ainda prosseguem até que o outro acusado seja identificado e capturado. “Um dos acusados já foi preso em flagrante por roubo majorado. Em depoimento ele confessou que participou do assalto, mas disse que conhecia o comparsa apenas pelo apelido de ‘Neto’, que morava em Marituba. Porém, estas informações ainda serão apuradas. Pode ser que os dois morem no mesmo bairro”, disse.
Na casa de Yan a polícia encontrou roupas, aparelhos de telefone celular e mais uma chave inglesa usada para arrombar portas e cadeados. O revólver usado no crime ainda não foi apreendido.
Na delegacia, aos poucos chegavam as vítimas do assalto e com as notas fiscais em mãos recuperavam alguns dos objetos encontrados em poder do Yan.

OUTROS CASOS
 Sem se identificar alguns funcionários do Hospital de Clínicas de Ananindeua relatavam que esta não foi a primeira vez que a unidade foi alvo de assaltantes. Inclusive ressaltaram que costumam dormir trancados porque o último assalto que aconteceu no prédio foi durante a madrugada.
A direção do hospital informou que a partir da próxima segunda-feira (18) será instalada uma cerca elétrica ao redor do prédio e que também haverá serviço de vigilância armada 24 hora por dia, 7 dias por semana.
(Denilson D´Almeida e Alexandre Nascimento / Diário do Pará)
 
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